A ciência do cheiro

Publicado em 28/02/13 20:44 com as tags cheiro  

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Por que determinados aromas despertam memórias? Dallas Campbell fareja explicações e revela que odores e emoções têm tudo a ver

 Imagine estar andando tranquilamente por uma rua qualquer. Tudo parece normal, até que o perfume inconfundível da flor dama da noite toma conta do ar. É o que basta para você ser tomado por uma sensação horrível, perder o fôlego e sair correndo prontamente do local. Parece cenário de filme de terror com flores amaldiçoadas? Mas não é.

A cena foi vivida pelo professor universitário Luis Mauro Sá Martino, que, durante muitos anos, não podia sentir o cheiro da flor sem a companhia de um pânico inexplicável. A resposta veio ao ser assolado pela fragrância mais uma vez. Ele lembrou que,quando era criança, perdera-se do pai naquela rua onde, curiosamente, havia um jardim repleto de... damas-da-noite.

O trauma da ocasião foi prontamente assimilado à memória olfativa e, a partir daquele momento, formou-se uma relação definitiva entre um acontecimento, uma emoção e um odor. É esse o poder que o olfato, combinado com nosso cérebro, possui. Mas, como todo esse processo funciona?

INSTINTO ANIMAL

Uma coisa é fato: nós não chegamos nem perto da sensibilidade olfativa de outros mamíferos. "O nariz humano tem aproximadamente cinco milhões de receptores olfativos por narina", explica o professor Tim Jacob, da Universidade de Cardiff , na Inglaterra. "É um bom número, mas completamente insignificante quando comparado ao dos cachorros - o da raça bloodhound(que deu origem ao cão Pluto, personagem da Disney) é provavelmente o mais poderoso, com cerca de 250 milhões de receptores no total", diz.

No mundo animal, o cheiro é vital para a autopreservação, a alimentação e a reprodução - "Onde está o almoço?", "Estou prestes a virar o almoço?" e "Quer almoçar comigo?" são algumas das perguntas respondidas pelo nariz dos bichos. Mas o nosso olfato também é essencial no dia a dia: quem nunca cheirou cautelosamente uma caixa de leite que estava há dias na geladeira, antes de tomar? Ou então caprichou em fragrâncias diversas para atrair um par na balada?

Ainda mais significativa para nós, e evidentemente também para aqueles com motivações comerciais, é a habilidade do nosso sistema olfativo de nos transportar através do tempo e origina um efeito psicológico profundo. Todo mundo já passou por experiências como a do professor Luis, quando uma simples brisa momentânea de um cheiro causa uma lembrança instantânea de uma sensação, época, pessoa, lugar ou acontecimento.

Então, o que de fato acontece? Para começar, o bulbo olfativo - a parte do cérebro responsável por processar odores - está diretamente conectado ao sistema límbico, a parte "antiga" do cérebro, que controla nossos humores, emoções e memórias involuntárias - aquelas que simplesmente acontecem, diferentemente das que temos que nos forçar a lembrar.

A conexão entre cheiro e emoção é profunda. "A área do cérebro que é normalmente dividida entre diferentes partes do sistema límbico foi originalmente, de um ponto de vista evolucionário, um córtex olfativo", afirma Rachel Herz, pesquisadora e autora de um estudo extenso sobre psicologia e odores na Universidade de Brown, nos Estados Unidos. "Por meio da evolução, diferentes estruturas foram formadas. Dessa forma, não teríamos a experiência emocional se não tivéssemos a experiência olfativa. As informações que odores e emoções nos dão são fundamentalmente as mesmas - ambos se resumem a um exercício de aproximação e de aversão", conta.

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