09/05/2013 20:47 | Texto 47-Prof Alex

Somos feitos de tempo

Postado por alex   0 comentário(s)   6184 visualizações

Achei muito bacana este texto que li no blog Uma Caneca De Prosa E Um Dedo De Café e gostaria de compartilhar com todos.


Foto: http://prosaecafe.blogspot.com.br

 

Muitas crônicas e reportagens sobre o assunto já foram escritas e publicadas. No facebook, incontáveis fotos, em diversos ângulos do Estádio Serra Dourada, já foram postadas. Então, não convém que este pequeno ponto midiático faça mais do mesmo falando da grande expectativa e da emoção indescritível dos goianienses em receber o grande show de uma lenda viva, uma das maiores referência da música e do rock mundiais em solo sertanejo. O objetivo deste texto um pouco diferente.
Quero aqui reforçar o caráter histórico deste evento, não como marco, mas como reunião de gerações em torno de um mesmo sentimento. Fui ao show com minha irmã e um amigo, os três com idade inferior a 30 anos e conosco levamos meus pais e um casal de tios.
Nenhum de nós sabia cantar as músicas da extensa carreira solo do Paul ou dos Wings. E mesmo as famosas composições do britânico enquanto beatle apenas era cantarolada em nossas vozes, quando muito, entoávamos felizes os refrãos. Ao olhar a lotada arquibancada, eu percebia poucos em situação diferente. E eu me perguntei por um momento o que estávamos todos fazendo ali sem saber exatamente o que cantávamos. Quando olhei para o lado e vi o sorriso dos meus pais e do meu tio e o olhar brilhando e a dancinha compassada da minha tia, eu entendi tudo.
Observei meu pai empolgado ao ouvir Ob-la-di Ob-la-da e fiquei pensando onde estaria seu coração quando ouviu pela primeira vez essa música. Também o vi encantado com o público iluminando o estádio ao som de Let it be e com a explosão de fogos em Live and let die. Em que outra oportunidade ele poderia ver e sentir isso? E presenciei uma multidão tão cheia de pluralismos cantar em uníssono Hey Jude.
Entendi que aquele show não se tratava somente de música e exposição de um trabalho artístico que já dura décadas, mas de uma emoção nostálgica. Percebi em muitos olhares já não tão jovens, uma juventude ululante. Vi-me transportada para lugares e para tempos que nunca vivi. Olhei para o palco e não vi mais um senhor de 70 anos sendo atacado por insetos em seu show em Goiânia, nem o conquistador de um título britânico pela representação de seu reino no mundo afora, eu vi Paul McCartney com seus cabelos pretinhos cobrindo a testa, com a pela alva e ainda sem rugas, expondo sua rebeldia adolescente. 
Eu vi o tempo a acenar para o meu coração e para os corações de toda a multidão.
 
Autora: Aspirante a Jornalista. Follow me on Twitter: @Didjagn Facebook: facebook.com/Didjagn

Envie seu comentário
*Seu nome:
*E-mail (não será publicado):
Site (inclua o http://)
*Comentário:
*Preencha a resposta:
* campos obrigatórios

Comentários nesta matéria:

Seja o primeiro a comentar! Use o formulário ao lado e participe!


Desenvolvido por CarlosFilho.com